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15/9/2008
IBM Brasil passa a responder para Xangai
A geografia da IBM mudou. Como resultado, a IBM Brasil historicamente ligada às operações das Américas e à matriz em Armonk, no estado de Nova York, passou a responder à Xangai,
que ganhou nos últimos meses a primeira estrutura de comando fora dos Estados Unidos dos 97 anos de história da gigante.

A Big Blue, apelido que ganhou nos anos 60, criou este ano na China uma nova área chamada Growth Markets (mercados em crescimento) para gerenciar os países de crescimento mais expressivo. A revolução ilustra mudanças profundas no faturamento da empresa, que atingiu US$ 98,8 bilhões em 2007. "Já temos 65% da receita vinda de fora dos Estados Unidos. E na estratégia de subir a escala de valor das nossas ofertas e balancear hardware, software e serviços, também estamos diversificando a receita entre países", afirma o vice-presidente de estratégia global de Growth Markets, Michael Cannon-Brookes.

No último ano, Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental e Japão responderam juntos por 88% do total, enquanto cerca de 100 outros países dividiram o restante, mas isso está prestes a mudar. A previsão é de que em quatro anos a participação desse bloco de mercados maduros cairá para 60%, revelou em janeiro último o executivo chefe de finanças, Mark Loughridge. No resultado de 2007, cerca de 50 países conseguiram crescer acima de 10%, com destaque para o chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que alcançaram 31% de expansão. A média de crescimento dos países que foram alocados para Growth Markets ficou em 21%, e a estrutura foi dividida em três grandes blocos: América Latina, Ásia e Pacífico, e CEEMEN (sigla em inglês para Europa Central e do Leste, Oriente Médio e África).

"Quando começamos a olhar para isso, percebemos que precisávamos de um foco diferente do que temos para os maduros. Seria difícil pensar diferente a partir de Nova York", contou Cannon-Brookes à Gazeta Mercantil.

"Os emergentes estão saltando etapas. A população desses países está indo do dinheiro para o cartão sem passar pelo cheque, de não ter telefone para o celular. E por trás de tudo isso há infra-estrutura tecnológica", analisa.

"Nesses mercados, o ritmo das mudanças é fenomenal. Você tem de estar muito perto delas. Cada país tem características únicas, uns são mais arriscados que outros. E as idéias trafegam de um para outro rapidamente", diz. Com o aumento do comércio entre os emergentes, o executivo conta que o assunto preferido de seus interlocutores são sempre outros países em desenvolvimento.

Australiano de Sydney, o executivo já esteve quatro vezes no Brasil este ano. Esta semana ele veio de Johannesburgo e tem passagem para Dubai. Exceto Nova York, ele não visita lugares fora dos emergentes. A primeira vez que esteve no Brasil pela IBM faz 10 anos. "Em Dubai e Xangai, você vê mudanças radicais fisicamente, em outros percebe diferenças na atitude e na forma das pessoas falarem", afirma.

É o que ele encontrou no Brasil, que se integra na estrutura Growth Markets não só como oportunidade de vendas, mas como provedor de recursos para projetos internacionais. Uma das metas da nova estrutura é identificar isso nos emergentes. "Antes você levava as pessoas para onde estava o trabalho, hoje leva o trabalho para onde estão as habilidades, que devem ser de alto valor e com preços competitivos", afirma o executivo, que usa como exemplo as operações em Hortolândia (SP), onde estão 7 mil pessoas da IBM, prestando serviços para muitas empresas que nem atuam no Brasil.

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