| 5/5/2008 |
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| IBM quase duplica exportação de serviços |
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| No quartel-general da IBM em São Paulo, uma torre de 70 metros construída há mais de 30 anos, falta espaço para acomodar todos os funcionários. |
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E não é só lá que o problema acontece. A empresa já lotou cinco instalações na cidade e mais duas no Rio, sem contar as sedes nos dois centros, mas continua sem espaço. Com perdão do trocadilho, a falta de lugar virou lugar comum na IBM.
Ricardo Pelegrini, o novo presidente da companhia no Brasil, terá de efetivar uma decisão que vai agravar a situação nos próximos meses, mas ele está feliz em ter um problema desses nas mãos. "Fizemos 3 mil admissões no país no ano passado, 500 a mais que o projetado, e vamos fazer mais 1,5 mil neste ano", diz o executivo ao Valor, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, no fim do ano passado. Ao todo, incluindo estagiários e funcionários temporários, a IBM tem hoje 15,4 mil funcionários no Brasil. |
O acelerado ritmo de contratações tem um motivo básico - sucessivos saltos na exportação dos serviços de tecnologia - e é isso o que deixa Pelegrini tão satisfeito. No ano passado, a IBM exportou US$ 300 milhões em serviços a partir do Brasil, quase o dobro do volume de 2006 (US$ 175 milhões) e o triplo de 2005 (US$ 100 milhões). |
Em Hortolândia (SP), onde fica o principal centro de serviços da companhia no país - um condomínio que oferece mais de 80 linhas de ônibus e onde o horário de trabalho é determinado pelo fuso do cliente - pouco mais de 80% do pessoal está alocado para atender clientes do exterior: são 5,7 mil pessoas em meio a um total de 7 mil profissionais. |
Para a direção da IBM, os números mostram que o país tem condições de competir no negócio global de terceirização de serviços de tecnologia. É um mercado que movimenta entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões ao ano, sustentado basicamente por grandes companhias americanas ou européias que buscam mão-de-obra mais barata, fora de seus países de origem, para escrever programas ou prestar serviços de suporte técnico. |
A Índia firmou-se como principal destino desses investimentos, mas vem sofrendo uma concorrência cada vez maior, provocada em parte por quem paga a conta. "Todas as empresas estão diversificando (os locais para onde transferem seus serviços)", diz Pelegrini. |
No Brasil, a despeito do crescimento dos últimos anos, ainda há bastante espaço para a IBM aumentar a participação dos serviços no bolo total da receita, afirma o executivo. Enquanto o negócio responde por 54% do faturamento mundial da empresa, na subsidiária brasileira essa participação varia entre 44% e 45%. Um dos principais desafios, porém, é encontrar gente na quantidade certa e com o perfil adequado. |
Em relação às habilidades exigidas, a IBM pretende investir US$ 10 milhões em treinamento de sua equipe no Brasil nos próximos meses. O objetivo é melhorar tanto o pessoal que já trabalha na companhia como aqueles que estão ingressando em seu quadro. |
Essa preocupação é uma resposta ao grau de exigência crescente por parte dos clientes. Os requisitos têm aumentado tanto que há usuários que já não se contentam com o inglês fluente. Mesmo que isso não esteja no contrato, eles também esperam alguém que, se possível, fale com o sotaque da região. |
Foi com uma situação dessas que Julio Telles, gerente de produção da IBM, deparou-se na hora de montar uma equipe para atender um grande cliente cujas instalações estão concentradas nas cidades de Raleigh e Lexington, na Carolina do Norte. "No Sul dos Estados Unidos, o sotaque é mais cantado", diz o executivo. Os brasileiros não entendiam, por exemplo, o que significava uma palavra que soava como "fáua". Só depois de algum esforço perceberam que era "firewall", um tipo de software que impede ataques on-line às redes de comunicação. |
"Precisamos falar do jeito que o cliente fala. Se não entendermos o sotaque e as gírias técnicas, não conseguiremos entregar o serviço", diz Telles. No caso do cliente sulista, a decisão foi manter a equipe enviada para treinamento por mais tempo que o planejado nos EUA. A IBM já tem uma espécie de mapa informal do sotaque americano. Sabe-se, por exemplo, que não há muitos regionalismos no Estado do Colorado. Já na região de Nova York, o ritmo da fala é acelerado e muitas palavras são combinadas e pronunciadas como se fossem uma só. |
Natalia Bianco Silva, recém-contratada pela IBM, é exemplo de outro tipo de esforço que a companhia tem feito para preencher suas vagas. Com 17 anos de idade - menos do que muitos funcionários da IBM têm de carreira na empresa -, ela foi selecionada no ano passado, quando ainda estava no ensino médio. "Não dá mais para ficar só no ensino superior", diz Pelegrini. A idéia, agora, é caçar talentos antes mesmo que eles cheguem à universidade. |
"A prática é muito diferente da teoria", diz Natalia, que entrou em uma faculdade de engenharia da computação no início do ano. Ela candidatou-se a um estágio na IBM no fim de 2006, enquanto fazia o ensino médio e, paralelamente, um curso de informática. A contratação saiu em novembro de 2007. |
Foi mais ou menos nessa época que Pelegrini começou a fazer as malas para deixar Milão e retornar ao Brasil. Na noite de 27 de setembro, ele recebeu uma ligação de Marc Lautenbach, gerente-geral da IBM nas Américas. "Atendi o telefone e ele disse: `é hora de voltar para casa`", conta o executivo. O anúncio oficial saiu em 1º de outubro, mas a mudança ocorreu no fim de 2007. |
Pelegrini esperava ficar mais um ano na Itália, onde trabalhava havia dois anos como diretor de serviços da IBM. A ascendência italiana ajudou no trabalho. "Como todos os meus avós são italianos, em casa era comum o uso de expressões no idioma", diz o executivo. Ele também já havia feito um curso de italiano no Brasil e visitava o país com certa freqüência durante as férias. "Quando assumi o cargo, decidi falar exclusivamente em italiano com minha equipe. No início, chegava em casa morto por causa do esforço, mas foi um período muito bom." |
No Brasil, ele substitui Rogério Oliveira, que assumiu o cargo de presidente da IBM na América Latina, cuja sede regional também fica em São Paulo. |
Uma das tarefas imediatas de Pelegrini é remodelar o saguão do edifício-sede. Mas não se trata de mera decoração. A IBM instalou no prédio um centro de competência para a área de finanças, onde clientes e parceiros podem simular a resolução de problemas com o uso de tecnologia da companhia. "Recebemos mais de 90 visitas de clientes, sendo que 30% foram de empresas de outros países da América do Sul", informa o executivo. O resultado foi considerado tão positivo que, neste ano, o plano é criar instalações semelhantes para os setores de varejo, indústria, telecomunicações e energia. Mais gente terá de mudar de lugar. |
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