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19/12/2007
O escritório também é plano
A veterana IBM mostra como a tecnologia encurta as distâncias entre os trabalhadores e o conhecimento

Poucas empresas ilustram tão bem a história do trabalho como a veterana International Business Machines, a IBM. Fundada em 1888 e com ações negociadas na bolsa de Nova York desde 1916, a IBM tem inúmeros atributos que a tornam uma empresa admirada e estudada há décadas nas escolas de administração. Talvez o mais intrigante deles seja a longevidade. Como uma companhia que atua num setor tão dinâmico como o da tecnologia consegue se manter relevante durante 120 anos? Como um gigante que faturou 91 bilhões de dólares no ano passado, atua em 170 países e emprega 370 000 funcionários, mais do que a população de Vitória, consegue acompanhar as mudanças cada vez mais rápidas do ambiente de negócios mundial? Não existe uma resposta única, mas ela certamente passa pelo ambiente de trabalho. A IBM, que já foi conhecida por exigir que seus executivos vestissem uniforme -- terno azul-escuro, camisa branca e gravata "comportada"--, hoje é uma das mais empenhadas em transformar de forma radical a idéia que se tem de um dia no escritório. Começando pelo fato de que o tal escritório, muitas vezes, nem sequer existe.


* Um dinossauro ágil - Poucas empresas abraçam as inovações no ambiente de trabalho com tanto entusiasmo como a IBM.Veja algumas das novidades adotadas pela empresa
* Blue pages - A empresa criou uma espécie de Orkut interno para facilitar a localização das pessoas certas entre os 350 000 funcionários
* Bluepedia - Recém-lançada enciclopédia, nos mesmos moldes da Wikipédia.A idéia é que ela seja um repositório dos conhecimentos da empresa
* WEB 2.0 - A intranet da empresa segue os padrões correntes da web, como blogs, comentários, rankings de popularidade e compartilhamento de fotos e vídeos
* Second Life - A IBM aposta que ambientes tridimensionais inspirados nos games serão uma importante ferramenta de interação no futuro


Metade dos funcionários da IBM está na companhia há menos de cinco anos, algo inimaginável nos tempos em que o terno azul significava um emprego para toda a vida. Mais: 40% dos funcionários da empresa trabalham a distância, em geral de um computador conectado à internet, mas cada vez mais com um smartphone. A IBM já não usa a tradicional lista com todos os e-mails e telefones da companhia. As pessoas fazem parte de uma enorme rede social, a Blue Pages, espécie de Orkut interno. Cada funcionário tem uma página própria, que lista os projetos de que participa e suas especialidades. Na metade deste ano, a empresa lançou a Bluepedia, repositório inspirado na enciclopédia aberta Wikipédia: todos os fucionários podem contribuir e editar as informações. "A IBM foi decisiva para o aumento da produtividade nas transações de massa realizadas pelas grandes empresas", diz Armando Dal Colletto, diretor da Business School São Paulo. Agora, a empresa quer fazer o mesmo com as tecnologias de colaboração, encurtando as distâncias nas grandes companhias. Para Nick Donofrio, vice-presidente de inovação e um dos mais altos executivos da IBM, a capacidade de trocar informações vai definir os profissionais do futuro. "As pessoas querem colaborar, especialmente as mais jovens", disse ele a EXAME. "Se tiverem as ferramentas nas mãos, elas fazem tudo sozinhas: se organizam, distribuem tarefas, avaliam resultados."


Era esse mundo do trabalho que o pai das teorias modernas da administração, Peter Drucker, enxergava quando cunhou a expressão "trabalhador do conhecimento", 40 anos atrás. Para Drucker, todo funcionário de uma empresa seria também um executivo, ou seja, teria a responsabilidade para tomar decisões com impacto no resultado do negócio. Com acesso imediato ao conhecimento acumulado da empresa, esteja ele num computador ou no cérebro de algum colega do outro lado do mundo, o trabalhador de hoje está equipado para tomar mais e melhores decisões. Outra conseqüência da revolução das telecomunicações é a capacidade de fazer um arrastão de idéias. A IBM promoveu no ano passado um evento online para colher sugestões de funcionários, seus parentes e alguns clientes. Ao longo de três dias, participaram 150 000 pessoas de 175 países, e o resultado foram 40 000 idéias. "Selecionamos as 30 melhores e fizemos uma nova filtragem. Pedimos que a comunidade nos ajudasse a escolher dez", diz Donofrio. "Essas iniciativas serão custeadas pela direção da empresa, pois queremos saber se temos uma inovação real nas mãos." Outro programa, o Think Place, é uma espécie de caixa de sugestões online. As propostas são todas avaliadas e, em alguns casos, os autores são remunerados por suas contribuições.


Apesar da promessa transformadora, ainda paira uma interrogação sobre esses novos usos da tecnologia: como medir os resultados no balanço? Para muitos economistas, a célebre frase do Nobel de Economia Robert Solow -- "Vêem-se computadores por toda a parte, menos nas estatísticas de produtividade" -- segue mais verdadeira do que nunca. Ter acesso ao e-mail 24 horas por dia, sete dias por semana, traz resultados mensuráveis ou apenas aumenta o número de horas trabalhadas? São perguntas que não têm respostas por enquanto. Mas há um fator que também não pode ser colocado em planilhas, embora seja decisivo para a produtividade: a satisfação. Camila Della Negra coordena a comunicação para as equipes de vendas da IBM em São Paulo. Boa parte de seu dia é tomada num constante fluxo de informações. Para ela, voltar ao tempo das listas de contato seria um pesadelo. "Eu diria que muita gente não conseguiria fazer seu trabalho sem as novas ferramentas."


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